Que o Bozo é função, bêbado e indigente todo real metal sabe.
Mas ele foi testemunha ocular da célebre história da bola oito arremessada pelo mestre na têmpora de uma gatinha metida a besta que teve a audácia de chamá-lo de "preto".
Virou nada menos que uma cenoura depois dessa infeliz idéia. A última que a moçoila teve.
O Bola Oito nunca teve cor. Apenas uma aura como dos santos e profetas. Preto? Amarelo? Mandarim? Pequinês? Tirolês? Caucasiano? Ele mesmo dizia que era branco, que tinha o cabelão como o do Kirk Hammet ( antes de virar esse guitarristinha mediano dessa bandeca vendida e farseca que arrasta e emporcalha o nome de "Metallica" ) e que tudo foi culpa do tímido sol de Curitiba.
Talvez ele tenha pagado seus pecados quando uma bala disparada por um malaco da Vila Órleans o atingiu em cheio. Mas qual santo não tem nostálgia do pecado, como perguntava Nelson Rodrigues. E parafrasendo o "Anjo Pornográfico" eu diria que aquele que falta a metade satânica é um nada. Então o mestre é mesmo um santo.
Um santo que passou por tudo nessa sua pequena estada entre nós: "Massacre no Milharal", arremesso da bola oito, detenção, pauleira no Baptista do extinto Colégio 19 e até uma bela bebedeira de cerveja e caipirinha em minha companhia. Até várias expulsões sumárias de todos os lugares badalados da cidade onde o mestre só ia para encher o saco e provocar os réles mortais.
Bola Oito era um homem que não conhecia a palavra medo.
Em suas sábias palavras: "Vamos brincar de desviar dos carros. Quando a gente morrer , a gente pára".
Isso só pode ser uma idéia de gênio que eu ainda tento até hoje. E continuo batucando nas teclas desse pc para confirmar que o grande Bola tinha toda razão e quem morre de véspera é peru.
Bom final de semana...
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