Quem nunca deu um mosh gigante em um show de metal ou até mesmo no palco da Praça Espanha, vai ter um bocado de dificuldade em compreender esse singelo blog postado no dia de hoje.
Sim, porque o lendário vídeo do Celtic Frost onde os aficcionados mergulham no público ao som de "Circle of the Tyrants", com o número 666 grafado na testa e cruzes invertidas pendendo de seus pescoços sentem-se tocados por um poder maior. Essa foi a inspiração da vida de Bola Oito. E nada mais justo tributar ao grande artista plástico e gráfico - H.R. Gigger - um papel secular e definitivo na vida breve porém brilhante do nosso profeta do bom som, aquele que sempre figura em nossa coluna.
Ora, o belíssimo quadro "Satanas" do pintor suíco não foi parar por acaso na capa do supracitado grupo. Todo o contexto do disco "To Mega Therion" poderia não ter o mesmo impacto conceitual se a embalagem fosse, digamos apenas um logotipo. Mas, falo, falo, escrevo, escrevo e não chego ao essencial: vejamos, existe um livro que se pode comprar à um preço acessível numa loja, aqui da cidade, chamada Solar do Rosário , onde aparece as duas reproduções da tela desse ensandecido artista.
A mais antiga mostra a criatura com um chapéu estilo asa de corvo e uma posição mais, como direi, cool ( em falta de outra palavra vai essa mesma,então tire o escorpião do bolso, ou beba menos cachaça ou melhor ainda: tome vergonha na cara e compre o exemplar correndo, porra!) e um pouco menos sombria do que àquela que se tornou a imagem oficial do trabalho de Mr. Tom Warrior e companhia ( depois de uma crise de poserismo e de fascínio pelo "american way of life" que quase comprometeu a existência do velho Celtão, seu Tom voltou ao normal e soltou o pesadíssimo "Monolith", ufa...que Bola abençõe atitudes corretas...).
Realmente, Celtic Frost é uma banda diferenciada feita sob medida para pessoas diferenciadas. Ainda lembro como se fosse hoje o impacto que esse som me causou na época. Os riffs e coros de "Necromantical Screams" permaneceram por um longo tempo martelando em meu cérebro - tão corroídos pelos excessos e hedonismos da época. Parecia um sonho recorrente mas eu estava desperto ( mas nem tanto pelo consumo de pílulas, álcool e ervas ) e tinha a consciência que depois desse disco minha vida não seria mais a mesma.
Eu havia sido purificado pela convivência diária com o Mestre Bola Oito ( ou Eight Ball , para os íntimos, e olhe que eram poucos ) e pelos acordes tonitruantes dessa banda que - descontados os pequenos deslizes que comentei parágrafos acima - é, com toda a certeza, uma das mais instigantes e criativas da história de música contemporânea, quiçá universal.
Séculos mais tarde, tive a mesma sensação ao ouvir "LA Blues" e o álbum "Funhouse" dos Stooges.
É a velha percepção de página virada. Quando um instante se torna mágico ( pausa para acender um cigarro...), quando você vê com clareza que sua vida era um mar de mediocridade, aceita isso e segue em frente com o pensamento elevado. Acontece com mais freqüência que você imagina. Um satori. Se era essa palavra que você poderia estar procurando.
Para isso ocorrer você tem que ter humildade e humanidade. Mas o tempo está passando rápido demais e os valores mudam na velocidade de um trem bala. E sempre para pior.
Hoje estamos na era do "ter" e não do "ser" e o mundo está se transformando ,a cada hora que se esvai num ritmo alucinatório e alucinante, num hospício coletivo. O maior exemplo disso são os fenômenos do "culto das celebridades" e do "não privacidade" e as revistas de fofocas que abundam e empesteam as bancas ( enchendo o rabo de seus produtores e idealizadores de grana ), não me deixam mentir. Fato indubitavel. Fato consumado.
Tenho um vizinho veadinho que às oito horas da manhã de todos os sábados me acorda com sua imitação da Madonna, com todos os trejeitos e apetrechos. Mas descobri o "ovo de Colombo": É só meter bala num Black Sabbath, num MC5, num Slayer ou mesmo ,no já tão propalado por essa linhas todas, Celtic Frost que a bonequinha pára no mesmo instante sua irritante cantoria e fica num silêncio mortal.
O mundo não está muito louco? Mas que dúvida. Krishamurti já advertia em seus sábios discursos que ninguém leva vantagem por ser normal num planeta doente. E o Bola Oito sabia disso. Exatamente pela sapiência é que ele pregava a liberdade. E é claro que pagou seu preço por isso.
Mas, eu digo com a certeza de quem está no limiar do quarenta anos que é a única bandeira que deve ser levantada e o único ideal que deve ser levado adiante. A liberdade de você fazer o que quiser quando tiver vontade. O "Evangelho do Trabalho" é válido para camponeses, matutos, covardes e padres pedófilos que ilustram as páginas da Tribuna. Não é feito para pessoas de verdade, de carneossostripassangueedor, que sorriem, conversam com as árvores e escutam a poesia do vento, que choram em rictus espetaculares, que arrancam os cabelos de raiva quando todos os proxenetas e corruptos tentam lhe privar de um direito sagrado. Essas não precisam de evangelho algum. Bola sabia e dizia isso com todas as letras e atitudes e como todo ser iluminado tinha conhecimento que isso poderia lhe trazer um bando de problemas. Lutou contra todos. Não se enquadrou jamais. Não permitiu que a hipócrita sociedade lhe engessasse. Não ligava a mínima para autoridades constituidas. Álias, ria às gargalhadas e compadeciasse delas do fundo de sua nobre alma. Pregadores de ocasião lhe faziam sofrer de engulhos. Ele tinha seus abimagornes pessoais e brigava bravamente com eles tornando-se assim um ser humano melhor a cada dia. Sua passagem pela terra não foi em vão. Vejo gente assim todo o dia em confronto direto com os acomodados e covardes de plantão.
Se o século vinte e um é a "idade das luzes" enxergo a religião com os dias contados. Um outro amigo já considerou que os cristão ignorantes são o mal da humanidade, onde assino embaixo. Mas Bola só reverenciava a liberdade em confronto direto com essa gentinha pia e assustada com sua própria sombra. Ele sabia que a violência suprema vem de deus. Aquele senhor de barbas brancas no mora no céu e tem uma listinha de coisas que não quer que você faça sob pena de acabar num lugar cheio de fogo e enxofre, dor e sofrimento.
Que obscurantismo pernicioso e medieval é esse que condena uma pessoa apenas a ficar adorando um ser inexistente, a amá-lo mais que , digamos, seu pai, sua mãe, sua mina? O ser humano médio não passa de um esquilo, um coelho assustado e acuado perante a grandeza da vida. Essa era a eterna mensagem de Bola.
Era apenas isso que ele queria passar adiante.
Um toque para os espertos...
Sim, porque o lendário vídeo do Celtic Frost onde os aficcionados mergulham no público ao som de "Circle of the Tyrants", com o número 666 grafado na testa e cruzes invertidas pendendo de seus pescoços sentem-se tocados por um poder maior. Essa foi a inspiração da vida de Bola Oito. E nada mais justo tributar ao grande artista plástico e gráfico - H.R. Gigger - um papel secular e definitivo na vida breve porém brilhante do nosso profeta do bom som, aquele que sempre figura em nossa coluna.
Ora, o belíssimo quadro "Satanas" do pintor suíco não foi parar por acaso na capa do supracitado grupo. Todo o contexto do disco "To Mega Therion" poderia não ter o mesmo impacto conceitual se a embalagem fosse, digamos apenas um logotipo. Mas, falo, falo, escrevo, escrevo e não chego ao essencial: vejamos, existe um livro que se pode comprar à um preço acessível numa loja, aqui da cidade, chamada Solar do Rosário , onde aparece as duas reproduções da tela desse ensandecido artista.
A mais antiga mostra a criatura com um chapéu estilo asa de corvo e uma posição mais, como direi, cool ( em falta de outra palavra vai essa mesma,então tire o escorpião do bolso, ou beba menos cachaça ou melhor ainda: tome vergonha na cara e compre o exemplar correndo, porra!) e um pouco menos sombria do que àquela que se tornou a imagem oficial do trabalho de Mr. Tom Warrior e companhia ( depois de uma crise de poserismo e de fascínio pelo "american way of life" que quase comprometeu a existência do velho Celtão, seu Tom voltou ao normal e soltou o pesadíssimo "Monolith", ufa...que Bola abençõe atitudes corretas...).
Realmente, Celtic Frost é uma banda diferenciada feita sob medida para pessoas diferenciadas. Ainda lembro como se fosse hoje o impacto que esse som me causou na época. Os riffs e coros de "Necromantical Screams" permaneceram por um longo tempo martelando em meu cérebro - tão corroídos pelos excessos e hedonismos da época. Parecia um sonho recorrente mas eu estava desperto ( mas nem tanto pelo consumo de pílulas, álcool e ervas ) e tinha a consciência que depois desse disco minha vida não seria mais a mesma.
Eu havia sido purificado pela convivência diária com o Mestre Bola Oito ( ou Eight Ball , para os íntimos, e olhe que eram poucos ) e pelos acordes tonitruantes dessa banda que - descontados os pequenos deslizes que comentei parágrafos acima - é, com toda a certeza, uma das mais instigantes e criativas da história de música contemporânea, quiçá universal.
Séculos mais tarde, tive a mesma sensação ao ouvir "LA Blues" e o álbum "Funhouse" dos Stooges.
É a velha percepção de página virada. Quando um instante se torna mágico ( pausa para acender um cigarro...), quando você vê com clareza que sua vida era um mar de mediocridade, aceita isso e segue em frente com o pensamento elevado. Acontece com mais freqüência que você imagina. Um satori. Se era essa palavra que você poderia estar procurando.
Para isso ocorrer você tem que ter humildade e humanidade. Mas o tempo está passando rápido demais e os valores mudam na velocidade de um trem bala. E sempre para pior.
Hoje estamos na era do "ter" e não do "ser" e o mundo está se transformando ,a cada hora que se esvai num ritmo alucinatório e alucinante, num hospício coletivo. O maior exemplo disso são os fenômenos do "culto das celebridades" e do "não privacidade" e as revistas de fofocas que abundam e empesteam as bancas ( enchendo o rabo de seus produtores e idealizadores de grana ), não me deixam mentir. Fato indubitavel. Fato consumado.
Tenho um vizinho veadinho que às oito horas da manhã de todos os sábados me acorda com sua imitação da Madonna, com todos os trejeitos e apetrechos. Mas descobri o "ovo de Colombo": É só meter bala num Black Sabbath, num MC5, num Slayer ou mesmo ,no já tão propalado por essa linhas todas, Celtic Frost que a bonequinha pára no mesmo instante sua irritante cantoria e fica num silêncio mortal.
O mundo não está muito louco? Mas que dúvida. Krishamurti já advertia em seus sábios discursos que ninguém leva vantagem por ser normal num planeta doente. E o Bola Oito sabia disso. Exatamente pela sapiência é que ele pregava a liberdade. E é claro que pagou seu preço por isso.
Mas, eu digo com a certeza de quem está no limiar do quarenta anos que é a única bandeira que deve ser levantada e o único ideal que deve ser levado adiante. A liberdade de você fazer o que quiser quando tiver vontade. O "Evangelho do Trabalho" é válido para camponeses, matutos, covardes e padres pedófilos que ilustram as páginas da Tribuna. Não é feito para pessoas de verdade, de carneossostripassangueedor, que sorriem, conversam com as árvores e escutam a poesia do vento, que choram em rictus espetaculares, que arrancam os cabelos de raiva quando todos os proxenetas e corruptos tentam lhe privar de um direito sagrado. Essas não precisam de evangelho algum. Bola sabia e dizia isso com todas as letras e atitudes e como todo ser iluminado tinha conhecimento que isso poderia lhe trazer um bando de problemas. Lutou contra todos. Não se enquadrou jamais. Não permitiu que a hipócrita sociedade lhe engessasse. Não ligava a mínima para autoridades constituidas. Álias, ria às gargalhadas e compadeciasse delas do fundo de sua nobre alma. Pregadores de ocasião lhe faziam sofrer de engulhos. Ele tinha seus abimagornes pessoais e brigava bravamente com eles tornando-se assim um ser humano melhor a cada dia. Sua passagem pela terra não foi em vão. Vejo gente assim todo o dia em confronto direto com os acomodados e covardes de plantão.
Se o século vinte e um é a "idade das luzes" enxergo a religião com os dias contados. Um outro amigo já considerou que os cristão ignorantes são o mal da humanidade, onde assino embaixo. Mas Bola só reverenciava a liberdade em confronto direto com essa gentinha pia e assustada com sua própria sombra. Ele sabia que a violência suprema vem de deus. Aquele senhor de barbas brancas no mora no céu e tem uma listinha de coisas que não quer que você faça sob pena de acabar num lugar cheio de fogo e enxofre, dor e sofrimento.
Que obscurantismo pernicioso e medieval é esse que condena uma pessoa apenas a ficar adorando um ser inexistente, a amá-lo mais que , digamos, seu pai, sua mãe, sua mina? O ser humano médio não passa de um esquilo, um coelho assustado e acuado perante a grandeza da vida. Essa era a eterna mensagem de Bola.
Era apenas isso que ele queria passar adiante.
Um toque para os espertos...

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